Vênus, HPVs e HIVs: conheça as infecções sexualmente transmissíveis através dos tempos

A humanidade passa por fases em sua evolução que, quando analisadas sob o olhar médico, recebem nomes considerados bizarros, que, ao invés de esclarecerem do que se tratam, mais confundem do que clareiam. Um destes aspectos está ligado a doenças que são transmissíveis pela intimidade humana. Até o século passado, estas doenças eram chamadas de Doenças Venéreas. Este estranho nome ligava estas doenças a Vênus, Deusa do Panteão Romano, equivalente a Afrodite no Panteão Grego, Deusa do Amor e da Beleza. Incluem as doenças venéreas clássicas: sífilis, gonorreia, linfogranuloma venéreo e o cancro mole. Após séculos com essa denominação, passaram a ser identificadas como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

 Atualmente, “IST é a nova denominação que o Ministério da Saúde adotou em substituição ao termo “DST. A mudança da terminologia para Infecções Sexualmente Transmissíveis foi adotada porque a identificação do “D”, de “DST, era relacionada à doença, que provoca sintomas e sinais visíveis no organismo, já as infecções podem permanecer na condição assintomática, sem sintomas perceptíveis por um período ou se manter assintomáticas durante toda a vida do portador.

O termo “IST já é utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas principais instituições que lidam com Infecções Sexualmente Transmissíveis ao redor do mundo. As ISTs” são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, e a transmissão ocorre, principalmente, através do contato sexual sem o uso de preservativo com uma pessoa que esteja infectada. Algumas podem ser transmitidas da mãe infectada para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Infecções como sífilis, herpes genital ou condiloma acuminado podem permanecer assintomáticas por um período e, somente depois de algum tempo, apresentar sinais. Outras podem ficar assintomáticas durante toda a vida do indivíduo, com em casos de infecção pelo HPV e o vírus do Herpes.

As Infecções Sexualmente Transmissíveis ou “ISTs são transmitidas, principalmente, através de contato sexual sem o uso de camisinha com um(a) parceiro(a) infectado(a) e se manifestam, geralmente, por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas.

Porém, convém ressaltar que as infecções podem permanecer na condição assintomática, sem sintomas perceptíveis, por um período ou se manter assintomáticas durante toda a vida do portador. Algumas “ISTspodem não apresentar sintomas, tanto no homem quanto na mulher, e se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo podem evoluir para complicações graves, como infertilidade, câncer e até óbito.

Outras formas de infecção podem ocorrer através da transfusão de sangue contaminado ou pelo compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente no uso de drogas injetáveis. Algumas delas, como o HIV e a sífilis, também podem ser transmitidas da mãe infectada, sem tratamento, para o bebê durante a gravidez, no parto e, no caso do HIV, também na amamentação.

 HIV

O HIV é o vírus da imunodeficiência causador da doença chamada AIDS. A palavra AIDS é uma sigla originada do inglês, que significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (“acquired immunodeficiency syndrome”). É o estágio final da doença provocada pelo HIV. Ele destrói as células de defesa (linfócito T), responsáveis por defender o organismo de doenças, resultando na baixa imunidade do organismo, deixando-o suscetível a outras infecções.

Ter o HIV não é a mesma coisa que ter AIDS

HIV é a sigla em inglês para “Human Immunodeficiency Virus”, que em português significa “Vírus da Imunodeficiência Humana”. O HIV é um retrovírus pertencente à subfamília dos “Lentiviridae e que apresenta 2 subtipos conhecidos: HIV-1 e HIV-2

Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações. O HIV é transmitido de uma pessoa para outra através do sangue, secreção vaginal, esperma e leite materno.

Assim, a sua transmissão está associada a relações sexuais sem o uso de preservativos, utilização de sangue ou derivados sem controle de qualidade, uso compartilhado de seringas e agulhas, da mãe para o filho durante a gravidez, se a mulher estiver infectada, recepção de órgãos ou sêmen de doadores infectados.

 Biologia

O HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos “Lentiviridae”. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns: período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune.

 Assim pega:

  • Sexo vaginal sem camisinha;
  • Sexo anal sem camisinha;
  • Sexo oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Dentre os sintomas iniciais, destacam-se: fadiga, febre, distúrbios do sistema nervosos central, inchaço crônico dos gânglios linfáticos e o surgimento de vesículas avermelhadas na derme. Ser portador do HIV não é a mesma coisa que ter a AIDS, há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, vale ressaltar que, estes podem transmitir o vírus a outros através de relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou para o filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é muito importante se proteger em todas as situações e fazer o teste regularmente.

Quando ocorre a infecção, o sistema imunológico começa a ser atacado. E é na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV (tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais da doença). Esse período varia de três a seis semanas. E o organismo leva de 30 a 60 dias, após a infecção, para produzir anticorpos anti-HIV. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida.

A próxima fase é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus. Mas isso não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças, pois os vírus amadurecem e morrem de forma equilibrada. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.

Com o frequente ataque, as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. O organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável a infecções comuns. A fase sintomática inicial é caracterizada pela alta redução dos linfócitos T CD4+ (glóbulos brancos do sistema imunológico), que chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue. Em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades. Os sintomas mais comuns nessa fase são: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.

A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a AIDS. Quem chega a essa fase, por não saber da sua infecção ou não seguir o tratamento indicado pela equipe de saúde, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer.

HPV

O HPV é um Papilomavírus, isto é, provoca verrugas com aspecto de couve-flor e de tamanhos variáveis nos órgãos genitais. O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta a pele ou mucosas (oral, genital ou anal) das pessoas, provocando verrugas anogenitais (na região genital e ânus) e câncer, dependendo do tipo de vírus.

Atualmente, existem mais de 100 tipos de HPV. No homem, é mais comum na cabeça do pênis (glande) e na região do ânus. Na mulher, os sintomas mais comuns surgem na vagina, vulva, região do ânus e colo do útero. Ele pode ainda estar relacionado ao aparecimento de alguns tipos de câncer, principalmente no colo do útero, no pênis ou no ânus, porém, nem todo o caso de infecção pelo HPV irá causar câncer.

O exame de prevenção do câncer ginecológico, o “Papanicolaou”, pode detectar alterações precoces no colo do útero e deve ser feito de rotina por todas as mulheres.

Não há determinação do tempo em que o HPV pode permanecer sem sintomas e quais são os fatores responsáveis pelo desenvolvimento de lesões. A principal forma de transmissão do vírus é pela via sexual, que inclui o contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. Portanto, a infecção pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. Para a transmissão, a pessoa infectada não precisa apresentar sintomas, mas, quando a verruga é visível, o risco de transmissão é muito maior. O uso da camisinha durante a relação sexual geralmente impede a transmissão do vírus, que também pode ser transmitido para o bebê durante o parto.

O HPV é um vírus que infecta a pele e as mucosas e tem mais de 200 variações identificadas pela Medicina. A manifestação mais comum da infecção acontece na vagina, no pênis e no útero. Em alguns casos, a contaminação pelo HPV pode não apresentar sintomas, o que faz com que o diagnóstico da doença demore a acontecer.

Quando há sintomas, o mais comum é o surgimento de verrugas genitais, anais ou no útero. Também é possível que sejam encontradas lesões na boca e na garganta.

A principal forma de transmissão do HPV é através de relações sexuais, no contato da pele. A relação sexual é responsável pela transmissão de mais de 90% dos casos da infecção. De acordo com dados do Ministério da Saúde, quase 55% dos brasileiros são infectados pelo HPV. É a doença sexualmente transmissível mais frequente e conhecida e, geralmente, as mulheres são mais infectadas. Apesar de ser um pouco menos frequente, a infecção também pode ser contraída por homens.

Em casos mais raros, o vírus também pode ser transmitido da mãe para o filho no momento do parto, mesmo que a pessoa infectada não apresente nenhum sintoma da infecção por HPV.

Estão expostas à contaminação por HPV as pessoas que:

  • tenham vida sexual ativa;
  • não usem preservativo nas relações sexuais;
  • tenham outras doenças sexualmente transmissíveis;
  • estejam com a imunidade baixa;
  • fumem ou bebam em excesso;
  • não tenham o hábito de fazer exames de rotina e acompanhamento de saúde.

Além do sintoma do aparecimento de verrugas é preciso fazer exames para confirmar o diagnóstico de contaminação por HPV. Devem ser feitos exames de sangue e exames ginecológicos, como o Papanicolau e a colposcopia. O Papanicolau avalia o risco de câncer de útero e a colposcopia avalia a vagina e o colo do útero.

Nos homens deve ser feita a Peniscopia, que pode detectar a presença de lesões que não são facilmente percebidas a olho nu. A indicação médica é que os exames sejam feitos a partir do início da vida sexual. O HPV não é curado em todos os casos, mas a doença e os sintomas podem ser controlados com tratamento. Este pode ser feito de várias maneiras, de acordo com a avaliação médica. Podem ser usadas pomadas para tratar as verrugas e remédios para aumentar a imunidade. Em alguns casos, pode ser feita a cauterização para eliminar as verrugas.

Existem casos em que a infecção é controlada pelo organismo e os sintomas não aparecem. Mas é importante fazer o tratamento correto se a infecção for diagnosticada, principalmente, porque quase todas as mulheres que desenvolvem câncer do colo do útero tiveram infecção por HPV antes de desenvolver o câncer.

Mesmo depois do tratamento é importante continuar a fazer a prevenção e os exames de rotina, já que é possível ser infectado novamente pelo vírus sempre que existir exposição ao HPV.

HPV e câncer

Existe uma relação entre os casos de HPV e o desenvolvimento de câncer. Alguns tipos do vírus são responsáveis pelo surgimento de câncer de colo do útero, de garganta e de ânus. Para prevenir ou ter um diagnóstico na fase inicial da doença, é importante que as mulheres façam exames ginecológicos com frequência. O HPV pode ser classificado como de baixo ou de alto risco de câncer. Os considerados de alto risco estão relacionados a tumores malignos.

A vacina contra o HPV é indicada para mulheres dos 9 aos 45 anos de idade e para homens entre os 9 e 26 anos. A vacina é aplicada em três doses. A segunda deve acontecer dois meses depois da primeira aplicação e a terceira deve ser depois de seis meses da primeira vacina. A vacinação pode ser feita em qualquer momento, mas é mais eficaz se for aplicada antes do início da vida sexual e do contato com o vírus.

Fonte: Dr. Eliezer Berenstein, coordenador dos cursos de Pós-Graduação lato sensu em Sexologia Clínica e Ginecologia e Obstetrícia do IBCMED