Cientistas chineses conseguiram que ratos do mesmo sexo se reproduzissem

O estudo foi realizado com células-tronco embrionárias

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências recorreram a células-tronco embrionárias e à manipulação genética para realizar um estudo em laboratório inédito, no qual conseguiram, graças à manipulação genética, que camundongos do mesmo sexo tivessem filhos. No caso de descendentes de ratos fêmeas, a prole toda nasceu saudável, com parâmetros semelhantes à resultante de casais que se reproduzem na natureza. Já no caso de ratos machos, os filhotes nasceram debilitados e toda a ninhada morreu em dois dias. O trabalho está na edição de outubro da revista “Cell Stem Cell”, publicação mensal especializada em pesquisas com células-tronco.

De acordo com o coordenador do estudo, Qi Zhou, professor do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências, o experimento surgiu de uma inquietação: por que os mamíferos só podem se reproduzir pela via sexuada? Recapitulando as aulas de biologia: reprodução sexuada é aquela em que o processo depende de duas células reprodutoras especializadas, os gametas. No caso dos animais, são o óvulo – da mulher – e o espermatozoide – do homem.

Tanto a feminina quanto a masculina são células haploides, ou seja, com a metade do número de cromossomos da espécie. É quando os núcleos dos dois gametas se fundem – em um fenômeno chamado de cariogamia – que se forma a célula ovo, ou zigoto. E então, o milagre da vida acontece: mitoses (divisões) sucessivas formam um novo indivíduo. Bom, os cientistas chineses resolveram recorrer a células-tronco – e à manipulação genética – para conseguir ninhadas de camundongos de pais do mesmo sexo. E, pelo menos no caso da prole descendente de duas mães, deu certo.

A solução

O ponto-chave que resultou na experiência bem-sucedida foi o fato de os cientistas, desta vez, terem utilizados células-tronco embrionárias. Haploides, como os espermatozoides e os óvulos, portanto – ou seja, com apenas metade dos cromossomos de uma célula somática.

Nesse teste, células-tronco embrionárias femininas foram implantadas em óvulos de fêmeas em idade reprodutiva. Deram origem a 210 embriões. Estes resultaram em uma ninhada de 29 camundongos que foram observados até a idade adulta. Levaram uma vida normal, saudável e conseguiram se reproduzir naturalmente. A expectativa dos autores do experimento é aprimorar o processo para que consigam produzir camundongos filhos de dois pais que também consigam levar uma vida normal até a idade adulta.

Outros seres vivos

No artigo, os cientistas observam que ainda há muitos empecilhos para usar esse método em outros mamíferos. Os genes problemáticos, por exemplo, variam de espécie para espécie – o que pode tornar bastante imprevisível descendentes com problemas graves. Mas há uma expectativa grande em torno das possibilidades de levar estas técnicas para outros animais, até um dia chegar aos seres humanos. “Esta pesquisa mostra o que é possível”, afirma Wei Li, pesquisador do mesmo instituto.

Fonte: Edison Veiga, BBC

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